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terça-feira, 25 de abril de 2017

13 Reasons Why

“E se o único jeito de não se sentir mal for parar de sentir qualquer coisa para sempre?”



E cá estou eu para falar da série do momento do Netflix: 13 Reasons Why. Série que assisti em uma semana (coisa rara), mas é porque eu realmente queria saber o que levou Hannah ao suicídio e se de fato o que ela alega como motivos, eram motivos para tanto.

A série foi baseada no livro de mesmo nome, de Jay Asher, publicado em 2007.

Quando comecei a assistir, por recomendação de um amigo, comecei a ler sobre ela diversas opiniões... algumas positivas, outras negativas, mas ainda não tinha formado uma opinião própria, afinal não tinha terminado de assistir. O que podia adiantar é que o rapaz que é “foco” juntamente com Hannah, o Clay, me irritava profundamente com o seu comportamento. Mas também, como julgar né, adolescente, envolto em uma situação tão delicada.



Enfim, vamos à história. A série conta quais foram os motivos (13) que levaram Hannah Baker a cometer suicídio... quem nos “mostra” os acontecidos, na maior parte dos episódios, é Clay Jansen, aquele típico estudante do ensino médio, que não é assim tão enturmado com os populares, mas também não passa 100% despercebido.

Um dia, depois da morte da sua colega de classe e de trabalho, ele encontra uma caixa em frente à sua casa, cheia de fitas cassetes e um mapa, com instruções de como proceder. Eram fitas gravadas por Hannah... 7 fitas que descreviam os motivos que a levaram ao suicídio... ou, no caso, a identificação das pessoas que a levaram a tal e por que. As instruções diziam que cada um que fosse considerado responsável pela sua morte deveria ouvir as fitas... mas não somente a sua, todas, para entender o contexto geral, já que de toda forma, como são os seus colegas de colégio, estão relacionados e suas histórias se cruzam.

Outros já ouviram as fitas, e está na vez de Clay.... mas ele não consegue fazer isso de forma direta, ou racionalizar. Ele se envolve totalmente com cada fita e quer, de alguma forma, punir os colegas que contribuiram para a morte de Hannah. E quando ele aborda seus colegas, sempre é lembrado de que ele também está nas fitas e também é responsável pelo que aconteceu.

Se alguém decidir “dar fim” nas fitas, ou levar às autoridades, Tony, amigo de Hannah, que além de ter as cópias das fitas, tem instruções para tornar público o conteúdo das mesmas, caso isso acontecesse. E tornar públicas as gravações da menina, seria, no mínimo, vergonha aos envolvidos, pois como sempre é dito no decorrer dos episódios, cada um sabe muito bem o que fez para levá-la à morte.



É importante ressaltar que as fitas falam sobre o comportamento de cada uma dessas 13 pessoas que Hannah culpa pela sua morte! O comportamento delas com a garota... são questões de assédio moral e sexual, bullying, depressão, fofocas adolescentes, descaso de quem podia ajudar, enfim, falam sobre como o ensino médio pode ser nocivo se você não estiver “blindado” de alguma forma. Ufa.... lembrei de muitas coisas que passei no ensino fundamental e médio.... por causa do tamanho dos meus lábios... aquilo era bullying, com certeza!

Agora, voltando às críticas que li enquanto assistia ao seriado e também agora, para escrever meu post: muitos entendem que a série é um desserviço, devido ao efeito Werther, que é utilizado para designar os suicídios que seguem um modelo, que são imitados. Ou seja, tem-se o medo de que a série instigue adolescentes e jovens a comenterem o suicídio como fez a protagonista da história. E isso é preocupante, pois de fato, a intenção é alertar para o problema, porém, não há um canal de contato para promover a vida, uma central de atendimento para que aqueles que estão assistindo ao seriado e se sentem mal, possam conversar (pois nem sempre, ou na maioria das vezes, estes adolescentes e jovens não tem liberdade para conversar com seus pais e familiares sobre este assunto e os seus amigos, que tem a mesma idade, não vêem como algo sério). No caso do Brasil, este contato é através do CVV – Centro de Valorização da Vida. Inclusive, o telefone de contato do CVV é 141 e o site http://www.cvv.org.br/. Se você se sente mal, se você pensa em tirar a própria vida, procure ajuda.

Quero colocar aqui também, que fiquei muito mal depois que terminei de assistir a série. Na realidade ainda não estou 100%. Há, no decorrer dos episódios, muitas cenas fortes, de violência ao outro, de violência à si próprio, de tortura psicológica.... e não tem como não mexer com a gente uma coisa dessas. É um trabalho psicológico perigoso mesmo... e se a cabeça é fraca (ou está fraca), é possível ceder aos encantos de tirar a própria vida e deixar “recados”, culpando quem fica.

Mas apesar disto, acho que vale a pena assistir, mas tentando, dentro do possível, não se envolver, utilizando um filtro interno, pois por diversos momentos eu me senti mal, deprimida, envolvida aos extremos com tudo o que estava acontecendo por não ter feito isso. Então, bora assistir, se conscientizar e ajudar a orientar as pessoas que estão à nossa volta. Principalmente, observando o seu comportamento.

Como leitura complementar, sugiro que leiam o texto do Diário de Permambuco, postado em 10 de abril, ou seja, super recente:

E vocês, já assistiram? O que acharam? Vamos conversar?

Bjo bjo

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Eu Estive Aqui



E quando eu comecei a ler este livro, jamais imaginei que o mês de setembro seria o Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção ao suicídio.... e o livro de Gayle Forman da vez, mesma autora de Se eu Ficar, é Eu Estive Aqui, um livro que fala de suicídio... um livro que é ficção, que é dito um romance, mas que trata de um tema tão forte, um tema tão sério e tão pouco valorizado pela maioria das pessoas!



Ele conta a história de Meg e Cody, melhores amigas que viveram praticamente tudo juntas desde a infância, e que foram separadas na juventude, quando Meg consegue uma bolsa de estudos para Universidade e vai embora, deixando sua fiel amiga Cody na cidadezinha em que nasceram. Cody, que sempre prometeu estar junto de Meg, não consegue sair de sua cidade natal, e lá fica, sem grandes perspectivas de vida, e como ela percebe que Meg está “seguindo em frente”, a relação das duas acaba ficando um pouco distante, assim como a distância física que às separa...

Isto só muda quando Cody recebe um email de Meg... um email de despedida. Porém, uma despedida sem volta. Sua melhor amiga está morta, cometeu suicídio tomando um frasco de veneno em um quarto de  motel.

Cody se sente muito mal com isso e até um pouco culpada, pois nos últimos tempos, por pura inveja até, tinha se afastado da amiga, já não sabia mais o que estava acontecendo com Meg, já não reconhecia mais a amiga... pensava que se estivesse mais presente, poderia ter evitado o que aconteceu, e assim, ela vai até Tacoma, cidade onde vivia sua grande amiga, para “recolher” o que restou de Meg (à pedido de seus pais que não tiveram coragem de fazer isso). E ao mexer em seu laptop, ela começa a descobrir que tem muitas coisas estranhas por trás daquele suicídio...

Ao voltar para casa, os pais de Meg lhe dão o laptop de presente, e assim, Cody resolve investigar mais a fundo o que aconteceu com sua amiga, vasculhando suas mensagens de email (enviadas e recebidas) e os documentos arquivados na memória do computador, até mesmo aqueles que foram deletados.

E assim ela se envolve com um grupo de apoio que nunca tinha pensado que existia, e também conhece um lado de Meg que jamais havia imaginado.

É uma história forte, intensa, não dá vontade de largar... ao mesmo tempo que dá, por medo de saber o que realmente levou Meg a fazer o que fez... em alguns momentos dá raiva de Cody, e também de Ben, o guitarrista com quem Meg se envolveu e que acaba por ajudar Cody a desvendar muito do que aconteceu com sua amiga.

Enfim, você quer saber o que levou Meg àquilo... e quando descobre, percebe que a sua realidade não é tão diferente assim da de Meg, o que é diferente, talvez, é como você lida com tudo isso. Muito bom, vale a leitura e a reflexão.

E vocês, já leram? Conhecem a história? Vamos conversar?
Bjo bjo

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A Garota que Você Deixou para Trás




Sinopse:
Durante a Primeira Guerra Mundial, o jovem pintor francês Édouard Lefèvre é obrigado a se separar de sua esposa, Sophie, para lutar no front. Vivendo com os irmãos e os sobrinhos em sua pequena cidade natal, agora ocupada pelos soldados alemães, Sophie apega-se às lembranças do marido admirando um retrato seu pintado por Édouard. Quando o quadro chama a atenção do novo comandante alemão, Sophie arrisca tudo: a família, a reputação e a vida, na esperança de rever Édouard, agora prisioneiro de guerra. Quase um século depois, na Londres dos anos 2000, a jovem viúva Liv Halston mora sozinha numa moderna casa com paredes de vidro. Ocupando lugar de destaque, um retrato de uma bela jovem, presente do seu marido pouco antes de sua morte prematura, a mantém ligada ao passado. Quando Liv finalmente parece disposta a voltar à vida, um encontro inesperado vai revelar o verdadeiro valor daquela pintura e sua tumultuada trajetória. Ao mergulhar na história da garota do quadro, Liv vê, mais uma vez, sua própria vida virar de cabeça para baixo. Tecido com habilidade, A garota que você deixou para trás alterna momentos tristes e alegres, sem descuidar dos meandros das grandes histórias de amor e da delicadeza dos finais felizes.

 
E coincidência ou não, quando eu escolhi o livro que me acompanharia para a viagem de férias de inverno, escolhi um livro da Jojo, mais um... então foram dois livros seguidos dela... e confesso que o início dessa leitura não foi muito legal. Sei lá, não parecia um livro dela. Meio livro de época, não curto muito. Confesso que me lembrou bastante A Última Carta de Amor, que também é da Jojo e também causou estranheza de início.

Ele conta a história de Sophie... ou podemos dizer que primeiramente a história de Sophie. Uma jovem forte e muito impetuosa até, tendo em vista a época em que viveu. Época da Primeira Guerra Mundial... quando a França foi invadida pelos alemães.

Enquanto o seu marido precisou ir para o front de batalha, ela ficou cuidando dos negócios da família junto com a sua irmã Hélène. O que antigamente era um belo hotel, limitava-se agora a um pequeno bar, que era um refúgio para os poucos franceses que se arriscavam a sair de casa e também que tinham algum dinheiro para gastar. Mas mesmo que não tivessem, só de estarem entre pares, já se sentiam confortáveis.

Para entender o tamanho da ousadia de Sophie, é preciso relatar um fato interessante... um enfrentamento que ela fez aos oficiais alemães: ela escondeu um porquinho em sua casa no momento em que ninguém poderia ter fartura de comida, muito menos animais, e quando delatada por sabe-se lá quem, enfrentou o Her Komandant, alegando que era um insulto dizer que eles esconderiam comida enquanto tantos passavam fome.

Por causa deste enfrentamento, ela e seu bar passaram a ser um ponto de fornecimento de refeições aos oficiais alemães (maneira que encontraram de ficar de olho nela, pensando se tratar de uma subversiva, ou ainda, de uma espiã).

Assim, o Le Coq Rouge passou a receber alimentos para que a refeição dos alemães fosse preparada... agora vocês conseguem imaginar alguém conseguir cozinhar bem com fome? E cozinhar todas aquelas coisas gostosas enquanto os seus estão com fome no cômodo ao lado? Pois Sophie e sua irmã fizeram isso... mesmo sendo, no mínimo, desumano. Porém, aquele que deveria ser o seu algoz, o Her Komandant, percebendo sua fome, disse que ela e sua irmã poderiam comer, pois assim se sentiriam melhor para cozinhar e que sim, os seus também poderiam comer. Este gesto fez com que ela o visse como alguém diferente. Com o passar do tempo, com a convivência diária, Sophie criou até certa afinidade com o Komandant, pois ele gostava de arte e ao ver um belo quadro na parede do Le Coq Rouge, e questiona-la sobre o mesmo, passaram a conversar mais. Com essa aproximação, Sophie vê alguma possibilidade de salvar seu marido e acaba não medindo as consequências de seus atos para tanto.

Em paralelo a história de Sophie, Jojo nos conta a história de Liv, já nos anos 2000, uma jovem viúva que vive em uma bela casa que foi projetada por seu amado David, seu mais ambicioso projeto, uma casa toda de vidro, pois ele gostava de projetar casas, prédios, sempre com vidro. Casa essa, a qual ela não consegue pagar mais os impostos, pois quando se casou com David deixou de trabalhar para acompanha-lo em suas empreitadas, entendendo à época  ser o certo a fazer, e agora, vivendo apenas de trabalhos eventuais, não consegue manter em dia suas contas e as ligações mais “urgentes” que recebe são de bancos e financeiras.
Como já está viúva à algum tempo, seus amigos organizam um jantar para que ela conheça “alguém”, um cara super chato e Liv se vê em situação desconfortável e louca para ir embora, até que a garçonete aparece dizendo que tem uma ligação para ela... mas na verdade não há ligação alguma, é apenas uma artimanha daquela que, na realidade, é uma antiga amiga de faculdade da qual Liv não se recorda, que à salva. Por ficar grata ao que Mo faz, Liv acaba convidando-a para ficar em sua casa. E assim a vida de Liv começa a mudar, pois agora ela tem uma hóspede, que era para ser de uma noite e acaba se tornando constante... o que incomoda Liv no início, porém acaba sendo um conforto no final das contas, pois é bom ter alguém com que dividir um prato de comida e também, ter com quem conversar no final do dia. Digamos que sua “nova” amiga Mo, coloca um pouco de bagunça naquele que até então era o seu “santuário” intocável, aquele lugar imaculado que tanto remete ao seu falecido marido.... e a casa de vidro parece ganhar cor, sons, cheiros... 

...

No aniversário de morte de David, Liv fica muito mal, não quer ficar em casa e como Mo precisa trabalhar no restaurante, ela acaba buscando conforto num bar gay, por entender que ali não correria o risco de ser assediada por estar bebendo sozinha. Mas lá acontece algo que muda mais ainda a sua vida, algo de fato inesperado. Por um descuido, ela tem sua bolsa roubada, e entra em sua vida Paul, um jovem que está disposto a ajudá-la. E por imaginar que Paul é gay, Liv abre seu coração e se sente muito bem ao lado daquele “homem”, falando sobre tudo e todos, sem pudor ou qualquer vergonha. Até descobrir que na verdade ele é muito homem, o que a faz se sentir traída.

Mas como a vida dá muitas voltas e “desgraça pouca é bobagem”, Paul consegue resgatar a bolsa dela, como um tipo de pedido de desculpas, e eles acabam começando uma relação... o que a deixa muito feliz, apesar dos seus medos por sempre acabar se remetendo àquele que foi o seu grande amor.

Porém, em uma visita à casa de Liv tudo muda. Ao prestar atenção ao quadro que adorna a parede do seu quarto, Paul percebe que terá que se afastar daquela que lhe faz tão bem.

Tudo porque ele trabalha com a recuperação de obras de arte perdidas... e aquele belo quadro que adorna o quarto de Liv, presente de casamento do seu amado David, é na verdade, o famoso “A Garota que Você Deixou para Trás”, objeto de uma ação de restituição aos verdadeiros donos em que Paul é o representante da família Lefèvre, descendentes de Édouard.  E é ai que as duas histórias se cruzam... que a vida destas duas mulheres se cruza e que a força que Sophie sempre teve, passa de alguma forma para Liv, que defende com unhas e dentes, no tribunal, a posse daquele quadro que ela entende ser seu por direito, afinal, ele foi comprado (há até um recibo), não foi dado, muito menos roubado.

Mas afinal de contas... quem ficou com o quadro? E Sophie, conseguiu encontrar seu amado Édouard? 

Já leram este livro? Vamos conversar?

Bjo bjo

terça-feira, 24 de maio de 2016

Simplesmente Acontece

Quando peguei este livro para ler, a expectativa é que seria um bom livro, pois todos os livros que li desta autora (Cecelia Ahern) foram bons, mas confesso que quando eu vi que o livro todo era escrito através de bilhetinhos, mensagens de celular, emails e cartas, aquilo me desanimou um pouco.



E o começo do livro pareceu muito clichê, melhores amigos desde criança, que crescem juntos, se apaixonam mas que não tem coragem de assumir, contar um ao outro o que sentem pois tem medo de que isso prejudique sua amizade, e até uma altura da história aquele clichê me incomodou e eu já imaginava o final da história. Mas ainda bem que eu me enganei. Talvez não com o final da história, mas sim com a profundidade dela, e com toda a relação envolvida na história. Todo relacionamento, toda a vida destes dois: Rosie e Alex. Melhores amigos desde criancinhas... separados na juventude, quando Alex vai para Boston deixando sua melhor amiga em Dublin... prometendo voltar para o tão sonhado baile de formatura, mas ele não conseguiu, e ela foi com Brian Chorão... e por isso Rosie engravidou... e tudo na sua vida mudou!

Vai dizer que não é clichê?!

Mas assim como Jojo Moyes em A Última Carta de Amor, este livro também surpreendeu. A história se aprofunda de uma forma... e o mais fantástico, tudo através de emails, mensagens de texto, cartas... o que eu achei que seria super cansativo e que no final das contas até se tornou despercebido no decorrer da leitura.

E Cecelia Ahern conta a história de vida de Rosie... e de Alex... alegrias, tristezas, casamentos, filhos, mortes... e nada de assumirem o amor que sentiam um pelo outro... ele em Boston, se tornando o renomado médico que sempre sonhou... e ela em Dublin, batendo a cabeça e tentando viver o sonho de ser a gerente de um grande hotel.

E pasmem, muitos anos se passam... até que eu pensei, meu Deus, daqui a pouco um deles morre e não viverão este amor... mas sempre há uma esperança.

Obrigada luz no final do túnel, obrigada Cecelia Ahern, por tornar dias difíceis em minha vida, mais leves, mesmo com histórias tão profundas, por mais antagônico que isto pareça.

E encerro os comentários por aqui, pois o que vale é dizer que como todos os outros livros de Cecelia lidos, este também é muito bom, e deve ser lido com muito carinho, pois você entra na história, vivencia junto com os personagens aqueles momentos, se coloca em seus lugares, pensa “nossa, eu já passei por isso”, ou ainda “como eu quero sentir ou passar por isso”, ou ainda, “será que isso vai acontecer comigo?!” Mais uma daquelas histórias mais reais do que se imagina... 

Mas e vocês, já leram Simplesmente Acontece? Gostaram? Me contem... Fiquei sabendo que tem até filme... agora vou assistir para ver se ele é tão bom quanto o livro (espero que sim).

Vamos conversar?


Bjo bjo

segunda-feira, 29 de junho de 2015

These Are the Rules



No dia 12 de junho fui “comemorar” o dia dos namorados no cinema... na melhor companhia que vocês podem imaginar... a minha! =) hehe

Estava acontecendo na cidade o 4º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba e como a empresa que trabalho era uma das patrocinadoras master, nós ganhamos convites e poderíamos escolher alguns dos filmes para assistir... então escolhi este: These are the Rules, ou em bom português: Estas são as Regras. O nome original é do filme é Takva su Pravila.


Este filme é de Ognjen Svilicic, nascido em 1971 em Split, na Croácia. Ele dirigiu cinco longas-metragens e trabalhou como roteirista em diversas produções reconhecidas internacionalmente. Ele é professor na Academia de Artes Dramáticas em Zagreb, onde leciona produção de roteiros.
 
Mas enfim, vamos ao filme: ele conta a história de uma típica família croata que vive uma vida comum, simples, onde “cumpre as regras para sobreviver” digamos assim... o pai, Ivo,  sai todos os dias para trabalhar, a mãe, Maja,  cuida da casa e o filho, Tomica, estuda. Até que a rotina dita “normal” é quebrada por uma violência inesperada.

Tomica é um adolescente que gosta de sair a noite com seus amigos e em uma destas noites, é espancado por outro adolescente, voltando para casa já de manhã, ele vai direto para o seu quarto para dormir e procura evitar a presença dos pais, mas mesmo assim não deixa para trás os rituais que fazem parecer com que as coisas estão “normais”... chega e tira o seu tênis, deixando-o ao lado dos calçados dos seus pais, todos alinhados ao lado da porta de entrada, colocando o chinelo, para só então ir para o seu quarto.

Já na hora do almoço, sem meios de evitar mais a presença destes, ele sai do quarto, para o espanto e desespero de sua mãe e também do seu pai, que ficam muito nervosos ao ver o rosto do filho todo machucado.



Pela grande insistência da mãe, o pai leva o filho a um posto de saúde para uma consulta. Lá eles tiram um raio X e dizem que não tem nenhuma lesão, mandando o menino pra casa.

A mãe, um pouco mais conformada, mas nem tanto, fica olhando para aquele raio X, tentando enxergar alguma coisa.



Assim eles almoçam e continuam na sua rotina... Tomica vai tomar um banho e seus pais ficam assistindo TV.

O tempo passa e quando os pais observam que o filho não sai do banho, entram no banheiro e o encontram desacordado no chão do banheiro... e a partir daí começa uma correria para levar seu filho ao hospital, onde descobre-se que na realidade, ele está com uma fratura grave na cabeça, resultado da agressão sofrida.

A namorada de Tomica, ao ligar para o seu celular, fica sabendo por Ivo que o garoto está no hospital e ao visitá-lo, conta para os pais de Tomica que há um vídeo feito pelos colegas, onde aparece o adolescente que foi o responsável pela agressão. Ao ver o vídeo os pais ficam revoltados, chocados e com esta “prova” em mãos, eles vão à delegacia prestar queixa... mas nada é feito.

E o inevitável acontece... e a violência vence mais uma vez... e a burocracia impede que as coisas sejam resolvidas... e apenas por um momento insano, Ivo tenta resolver as coisas ao seu modo.

É um filme diferente... alternativo, mas que leva a uma reflexão sobre as rotinas que temos, desde a maneira como entramos na nossa casa e deixamos o sapato alinhado junto ao dos nossos pais/companheiros... até a dificuldade que temos para acender o fogão, que no filme mostra-se um grande problema para Maja, até a fragilidade que a sociedade nos impõe para que vivamos dignamente bem.

Abaixo faço um ctrl c ctrl v de um parágrafo de Aline Vaz, retirado do site: http://www.aescotilha.com.br/olhar-de-cinema/these-are-the-rules-e-boa-aparencia-do-fragil-lar/, pois acho que ele fecha muito bem este texto:

“Ao sair da sessão de These are the Rules é inevitável não pensar em nossas relações mediadas por regras, por organizações, mundos construídos para que sejam mantidos em pé a todo custo. Desconstruir os grandes castelos de cartas das metrópoles, que escondem seus defeitos edificados, torna-se necessário, é preciso olhar e se envolver com aqueles que estão próximos, mas separados pela organização de uma sociedade que valoriza a materialidade acima dos afetos.Ao fim da sessão a família não é a mesma, o fogão será trocado e o jantar está sendo preparado. A sociedade contemporânea tem conflitos internos, mas as aparências são mantidas, pelos adultos responsáveis por guardar os problemas em gavetas bem organizadas”.




Então é isso pessoal... abaixo segue o trailer do filme para vocês terem um gostinho dele!





(A versão do link abaixo tem legenda em inglês)

Se alguém teve a oportunidade de assistir, comente o que achou, vamos conversar?

Bjo bjo